sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ser noiva, casar e ser celíaca: uma combinação que pode dar certo...e deu!

Meu Deus! Desde abril sem escrever aqui. Tenho preferido escrever na página do facebook porque acredito ser mais dinâmico, tanto pra mim quanto para vocês. 

Três meses após o casamento é que estou conseguindo sentar e começar a escrever sobre duas experiências maravilhosas que tive na vida: meu casamento e a nossa lua de mel. Vou dividir as publicações para não ficar muito longo e prometo compartilhar tudo o que tenho na memória sobre esses dois grandes momentos da minha vida. Sou celíaca, fui noiva e hoje sou esposa e SIM, é possível ser tudo isso e ser feliz. Não que não seja cansativo mas quando temos disposição e apoio daqueles que nos amam, tudo fica mais leve. 

Bom, não sei se vocês vão se lembrar mas no final de Dezembro de 2014, fiquei noiva durante uma viagem para a Disney. Contei em um post como foi a viagem inteirinha (se quiser acessar, clique aqui para ver!). Foi maravilhosa! Recomendo para todos, especialmente para quem tem alguma necessidade alimentar especial. 

Quando voltamos da Disney, começamos a planejar o casamento, como seria tudo, especialmente a minha alimentação. Quem acompanha o blog, sabe que eu sou super adaptável, levo marmita para todo lugar, inclusive nos casamentos em que somos convidados. Mas, no nosso casamento, eu não queria levar marmita mas também não queria comer nada contaminado. Mais do que isso, eu gostaria que os meus convidados celíacos se sentissem seguros e felizes, sem precisar levar marmita. Coloquei isso na cabeça e quando enfio uma coisa na cabeça, só tiro se estiver muito fora do meu orçamento. Com a minha teimosia (sim, porque 90% das pessoas me diziam que seria impossível), comecei a pesquisar, pesquisar e pesquisar. 

Eu fiz muitas coisas para o nosso casamento: coisas para decoração, meu cabide de noiva, a parte gráfica, as lembrancinhas das madrinhas, enfim...participei de tudo de maneira bastante ativa. Mas a comida seria praticamente impossível, né. 

Minha primeiríssima ideia era fazer um casamento todo sem glúten, inclusive sem contaminação cruzada. Logo que fui conhecer o local onde me casei, o Villa do Lago, conversei muito com o proprietário, expliquei a situação, ele compreendeu e aceitou o desafio de fazer uma festa sem glúten. A esposa dele não come carnes, tem uma alimentação saudável e portanto, ele estava aberto a abraçar a minha ideia. 
No entanto, com o passar do tempo, fui percebendo que isso era impossível mediante a estrutura de uma única cozinha, especialmente quando tem casamento o fim de semana todo, um dia após o outro. Esse poderia ser o meu caso, já que me casei no sábado e poderia acontecer um casamento na sexta. Então, desisti de ideia. 
Comecei a pensar em outra forma de ter um casamento seguro para  mim e meus convidados celíacos (ao todo, éramos 5 + meu marido que conto como celíaco). Isso quer dizer, sem contaminação cruzada. Eis que tive a ideia de ter dois cardápios: um para celíacos e outro para o restante dos convidados. A Tais, da Crumble Cozinha, é minha amiga e eu confio demais no trabalho dela, tanto pelo sabor quanto pela questão da contaminação cruzada. Conversamos sobre o assunto e ela topou a ideia. Ela tinha um grande desafio: cuidar da alimentação dos celíacos, incluindo a da noiva (nesse caso, euzinha!), e ser convidada, ou seja, curtir a festa. Aliás, convidada era o principal papel dela. Foi um grande presente ter tudo isso numa amiga tão querida por mim e pelo meu marido. 

Com o buffet, organizei todo o cardápio sem a presença dos famosos pães. Além disso, tudo o que poderia levar farinha de trigo foi substituído pelo amido de milho. Esse foi um combinado com o buffet e também constou em contrato. Mas por que decidi assim? Imagina uma festa com mais de 200 pessoas. Agora, pensa na quantidade de funcionários. É bem difícil treinar todos para a conscientização a respeito da doença celíaca para um dia tão especial. Ou seja, não podia dar errado. E, antes de me expor ao risco, eu jamais poderia expor meus amigos queridos ao glúten. Imagina alguém passa mal bem no dia do meu casamento! Eu nunca iria me perdoar. Onde há pão, há migalhas e elas se procriam absurdamente, grudam em tudo e eu não queria isso de jeito nenhum. 

Bom, cardápio com o buffet finalizado, conversamos sobre a possibilidade da Tais ter um cantinho separado para o preparo e montagem dos pratos dos celíacos. Nem preciso dizer que o buffet foi super receptivo. O Maurício, proprietário, e a Patrícia, braço direito dele, foram incríveis em cada detalhe, tudo o que eles podiam fazer para contribuir e deixar do meu jeito, eles fizeram. Me ofereceram conhecer o espaço da cozinha e do recebimento de compras. E foi ali, na área de recebimento, que a Tais montou uma pequena estrutura para servir aos celíacos. Deixou os pratos pré-preparados, levou um forno para finalizar os pratos e deixou um funcionário de sua confiança para cuidar da alimentação. Não preciso dizer que profissional como ela é, saiu da festa várias vezes para conferir se tudo estava saindo conforme o combinado, mesmo eu pedindo para que ela esquecesse a cozinha. É ou não é nota mil?

Mas você deve estar se perguntando como contamos aos convidados sobre tudo isso, certo? Ou seja, como um celíaco deveria se servir. Bom, todos eles sabiam sobre a alimentação separada. Em cada mesa da festa, havia o cardápio geral, para os não celíacos. Embaixo, no rodapé, havia uma informação de que a refeição do celíaco estava separada e, para isso, ele deveria solicitar o cardápio especial ao garçom. Pelo cardápio, o celíaco escolhia o que queria e o prato vinha montado. Optamos dessa forma porque caso deixássemos os pratos expostos, as pessoas teriam curiosidade em experimentar e enfim, a contagem do número de pessoas iria por água abaixo. Combinei com os cerimonialistas e o buffet e deixamos um garçom para atender os celíacos. 

Vejam como ficou:


Cardápio na decoração
Cardápio para os convidados não celíacos
Cardápio dos celíacos

Gente, o cardápio dos celíacos ficou demais, não ficou? Não perdemos em nada para o outro cardápio. Ficou melhor do que eu imaginava! A Taís arrasou em tudo. Ela quem montou o cardápio, discutimos e aceitei todas as sugestões dela. A noiva aqui não conseguiu comer muito, acho que era ansiedade. Hoje, eu queria ter a oportunidade de comer tudo, saboreando cada minuto. Eu e meu marido amamos absolutamente tudo o que comemos. Acreditam que eu que fiz a arte gráfica dos cardápios? Só mandei para a gráfica imprimir e cortá-los. 

Verifiquei, junto ao buffet, a questão das bebidas e a áreas das comidas e bebidas não eram juntas, ou seja, isso eliminava o possível contato de cerveja (única bebida com glúten na festa) com a comida dos celíacos. 


Foto tirada pela Tais

Foto tirada pela Tais
Agora, vamos falar do bolo e dos docinhos? Para os convidados não celíacos, os docinhos servidos, que estavam na mesa de doces, eram da Le Sofiah. Apesar de usarem um chocolate sem glúten, havia a possibilidade de contaminação na cozinha. Por isso, assim como com a comida, decidimos separar. Nos docinhos da Le Sofiah apenas um tipo tinha glúten: os brigadeiros, mas isso não contaminaria em nada a comida dos celíacos. 

Sobre o bolo, quero falar que foi outro presente maravilhoso em nossas vidas! Sim, feito por uma pessoa que amo e admiro imensamente. Ou melhor, eu e meu marido. Nossa linda, querida e topíssima Carla Serrano. Gente, rolou até degustação. O bolo era maravilhoso e claro, sem glúten. tinha apenas lactose devido ao custo que seria fazê-lo sem leite. Todos os convidados, celíacos ou não, comeram o mesmo bolo. Chocolate, cereja...Huuum! 
A Carla também era nossa convidada, é uma amiga que a doença celíaca me deu. Acreditam que ela foi para Ribeirão Preto, gravidíssima, super barriguda? Ela foi levada pelos queridos amigos Beth e Marcos, da Sabor de Saúde, e lá finalizou o bolo, que era de corte. O bolo que estava na mesa de doces era fake, apenas enfeite para as fotos.
O bolo sem glúten + bolo de mesa
Essa foto foi tirada pela Carla Serrano, com uma das plaquinhas do casamento

Ah! Vocês conhecem a tradição de guardar, no freezer, o bolo e comer exatamente 1 ano após o casamento? Garantimos nosso pedacinho para o dia 27.08.2017! Vai passar tão rápido! 

Quanto aos docinhos, contratei os serviços da MagiCake. Eles foram preparados com muuuuito carinho pela Lívia. Ela me ajudou na escolha, fez degustação e ficou tudo incrível também. Os docinhos foram colocados em uma caixinha separada e entregue para cada convidado celíaco. Para mim e meu marido, também havia caixas com docinhos. A entrega dos docinhos ficou sob a responsabilidade dos cerimonialistas (impecáveis). Vejam que amor que as caixinhas ficaram!

Caixinha de doces para os celíacos
Fiz um cartãozinho para a Lívia colocar em cada caixinha - "Sem glúten e sem leite 
mas feito com muito carinho para você!"
Agora, vamos falar das lembrancinhas, que saíram do tradicional bem-casado. Quisemos suspiros! Ficou tão fofo, gente! Os suspiros não continham glúten e, de acordo com as respostas colhidas pela pessoa que os fez, parecia não ter contaminação cruzada. No entanto, era a primeira vez que contratava o serviço, não fui verificar pessoalmente, então não quis arriscar os convidados. Depois do casamento, eu comi e não tive nenhuma reação. Adorei e virei fã. Foram feitos pela Maria Aparecida, aqui de Tatuí. Ela só produz suspiros, então não tem o risco de contaminação cruzada. 

Suspiros! 
Aquele café, servido no final da festa eu confesso que esqueci completamente de pensar em nós. Mas sobrou tanta comida que acho que os convidados não deram conta de comer tudo. De qualquer forma, os petit four apesar de serem sem farinha de trigo, poderiam ter contaminação e famosa gelatina de pinga, feita pela minha avó, apesar de não ter glúten, sem querer ela usou uma gelatina contaminada. Então, não liberamos a tão falada gelatina de pinga para os celíacos. 

Mesa de café com a famosa gelatina de pinga da Vó Eurides
Bom, gente, foi isso! Foi tudo muito melhor do que eu imaginava! Contei com o trabalho impecável do buffet, dos cerimonialistas, enfim, foi meu verdadeiro sonho sem contaminação cruzada! Só tenho a agradecer por todos os profissionais que fizeram parte desse sonho, aos nossos pais e ao meu marido, meu verdadeiro companheiro de aventuras sem glúten (como eu sempre o chamo). Ah! Você deve estar se perguntando o que meu marido comeu e bebeu na festa! A mesma comida que eu e cerveja sem glúten. Ele comprou uma caixa com cervejas sem glúten e só bebeu essas. Muito amor e companheirismo envolvido! Como eu iria beijar o novo com a boca cheia de glúten, não é?

Essas fotos bonitonas e super profissionais foram tiradas por um casal querido, lá de Ribeirão Preto - o Gustavo e a Rejane. Trabalho impecável também!
Espero que tenha contribuído, que vocês tenham gostado e tenham se inspirado. Qualquer dúvida, estou a disposição. Se alguém quiser discutir outras opções também pode contar comigo! 
Meu maior objetivo é mostrar para as noivinhas celíacas que é possível adequarmos nosso orçamento ao sonho de ter uma noite segura junto do nosso amor, amigos e familiares. Boa sorte, queridas! 


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Receita de hoje: salmão ao molho de maracujá


Eu faço tanto salmão e me dei conta de que nunca coloquei aqui uma receitinha. Então, decidi colocar essa, que fica deliciosa e não é difícil. 
Geralmente faço o salmão aos fins de semana porque aqui em casa só eu que gosto. Meus pais e irmã não gostam muito, então minha mãe não faz. Quando eu casar, poderei fazer sempre pois meu namorado também adora. 

Eu sempre gosto de fazer o salmão no forno; faz menos sujeira. Para não ficar difícil de lavar o refratário que vai ao forno, sempre forro-o com um papel alumínio. 

Esse salmão fica gostoso servir tanto com arroz branco quanto com um risoto (um dos meus preferidos é o de limão siciliano).

Vamos à receitinha!

Separe:
- 2 filés de salmão 
- 1/2 limão
- Sal a gosto
- Azeite
- 4 colheres de sopa (rasas) de açúcar
- 1/2 copo de água (125 ml)
- 3 colheres de sopa de mel
- Maracujá (suco da fruta sem sementes) - aqui não tem uma quantidade muito certa; o ideal é colocar e ir experimentando até estar agradável ao paladar
- Manjericão

Tempere os filés de salmão com sal, limão e azeite e deixe descansar por aproximadamente 20 minutos. Após esse tempo, leve-o ao forno a 200 graus por aproximadamente 30/40 minutos (eu gosto quando ele vai criando a casquinha crocante, então vou deixando até formar). 

Enquanto o salmão está no forno é hora de preparar o molho de maracujá. 
Em uma panela, junte o açúcar, a água, mel e maracujá. Mexa até misturar tudo e leve ao fogo baixo, ele deve ficar um pouco mais grossinho. Por último, acrescente o manjericão e deixe ferver mais um pouquinho para acentuar o gosto. Desligue o fogo, tire o peixe do forno e jogue o molho em cima do peixe. Fica divino!

Gostou da receita? 
Bom apetite!

terça-feira, 22 de março de 2016

"Os produtos sem glúten estão muito caros!" Vamos refletir sobre isso?



O trabalho de tomada de CONSCIÊNCIA é fundamental para a nossa sobrevivência e busca pela FELICIDADE. Afinal, quem não quer ser feliz? 

Ultimamente, tenho me deparado, inúmeras vezes, com a frase: "os produtos sem glúten são (estão) muito caros"!

Concordo plenamente. Mas, como mudar? Querendo, por mágica, que os impostos sobre os produtos diminuam? Brigando com todo mundo por achar que é a maior injustiça não ser uma pessoa rica mas celíaca?

Pensem comigo: do que nós necessitamos para sermos felizes? 

Trabalho e me considero uma pessoa privilegiada perante a realidade do nosso país mas confesso a vocês, me recuso a pagar o preço que alguns produtos sem glúten possuem. Simplesmente porque não necessito deles para ser saudável e feliz. Olho para um pacote de bolacha recheada, vejo o preço e quase caio para trás. Penso em pegar e logo minha consciência me dá um bronca: o que tem nesse pacote de bolacha que vai suprir minhas necessidades?

Somos imperfeitos! Temos desejos e parece que eles ficaram maiores depois do diagnóstico. Não é assim com vocês também? A gente pode se permitir mas sempre refletindo: "a que custo?" 
Viver com equilíbrio é um belo desafio!

Dificilmente os produtos industrializados sem glúten terão preço justo no nosso país. E sabem por que? Porque reclamamos mas continuamos a comprar. Sabem o que os europeus fazem quando um produto está caro? Boicotam, não compram. É claro que estou falando de coisas supérfluas. Mas carne, arroz, feijão, verdura, legumes...estão todos aí, ao nosso dispor e o melhor, naturalmente sem glúten. 

Vamos consumir sim, mas com equilíbrio e consciência! Adoro quando o Jamie Oliver incentiva as famílias a voltarem a cozinhar, quando ele prepara uma refeição saborosa com frutas, verduras e legumes e carne. Gente, a partir desses ingredientes desenvolvemos coisas magníficas. Como isso me encanta! 
Mas, insistimos...Deixamos de comprar alimentos realmente necessários para o nosso corpo para comprar um pacote de bolacha a dez reais, com gordura e tudo o que não necessitamos mas, claro, sem glúten. Por isso, nem tudo que é sem glúten é saudável, pois continua a ter, em grande quantidade, tudo o que também nos faz mal, açúcar, sódio, etc.

Ser celíaco não é só para deixarmos de comer glúten. É uma oportunidade belíssima que ganhamos para adotarmos um estilo de vida saudável, incluindo alimentos sem glúten (e sem contaminação cruzada) mas, mais do que isso, que vão nos ajudar a recuperar nosso intestino e dar forças para o nosso sistema imunológico. 

E sabem por que muitos celíacos ou pessoas com intolerâncias/alergias múltiplas ainda assim são felizes? Porque essas pessoas estão fazendo a lição de casa muito bem: estão enxergando o diagnóstico como uma oportunidade de mudar para melhor! E aí, o que vier da dificuldade de ser celíaco (ou intolerante/alérgico a qualquer outro alimento) será puro aprendizado.

Ah! E como eu já aprendi nesse tempo...
Tão melhor focarmos nas possibilidades, naquilo que nós podemos e damos conta de fazer!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Como conviver com o inimigo dentro de casa? | Lições para o celíacos e para quem convive


"Moro com meus pais, irmãos (ou amigos) e todos consomem glúten. Como me cuidar?"

Vocês  não imaginam a quantidade de vezes que leio ou recebo perguntas assim. Nos grupos nas redes sociais, no email do blog, nas mensagens pela página no facebook. Todos com a mesma preocupação (o glúten e a contaminação cruzada) e mesmo problema (convivência com alguém que se alimenta do nosso inimigo). 
Então, eu pensei: "Por que não compartilhar minha experiência com outras pessoas"? 

Sim, eu moro com meus pais e irmã e eles comem glúten. Uns lerão e dirão: "Que absurdooooo! Como você vive em uma casa com glúten?" ou poderão acrescentar que minha família é egoísta, que deveria parar de comer também para que eu restabelecesse minha saúde. Eu não penso assim e vou te dizer porque. A saúde é minha e eu sou a única responsável por ela. Por meio das minhas escolhas, serei saudável ou não. Portanto, se meus familiares consomem glúten, cabe a mim entender que não tenho controle sobre o outro e nem posso obrigá-los a não comerem glúten da mesma forma que eles não podem me obrigar a comer alimentos com glúten. Quando eu compreendo isso, no fundo do meu coração, eu passo a viver melhor e em paz. 

Apesar da minha família não ser tãããão consumidora do glúten, eles comem pão (todos os dias) e macarrão (muito de vez em quando). Sim, de vez em quando eu acordo e tem migalhas de pão na mesa onde tomo café, de vez em quando minha mãe faz um café para as amigas com uma mesa repleta de alimentos com glúten. Nessas horas, antes de enraivecer, devemos nos perguntar uma coisa: nesse momento, eu tenho condições de sair de casa? Se sim, é uma boa opção, desde que você decida viver sozinho para sempre, você e uma casa 101% sem glúten. Mas se não, está na hora de transformar. E eu falo da sua transformação, não a da sua família. A única pessoa que podemos mudar é a nós mesmos, por mais que isso nos doa ou nos cause revolta. É claro que se a família também entende isso, a convivência fica muito melhor. 

Não vivemos isolados, sozinhos, dentro de uma bolha e rigidez não traz felicidade a ninguém. Mas, denovo, repito: a saúde é minha, eu sou responsável por ela. Logo, se eu transgrido a alimentação segura, se sou flexível em aceitar a contaminação e se como um pouquinho de glúten quando não resisto, a responsabilidade não é do outro, é só minha. Ter um celíaco na família exige paciência e respeito de ambos os lados. Se ninguém cede, fica impossível. 

Se você é o celíaco
- Tenha paciência, vá educando sua família e se não se sentir seguro com a alimentação feita, não coma. Diga o porquê e numa boa, prepare sua refeição. Sua saúde deve vir em primeiro lugar. Se o outro se melindra ou fica chateado com isso, é ele quem precisa rever sua forma de lidar com as situações e não você;
- Sempre que for comer a comida feita por alguém, certifique-se de que ali não tem risco de contaminação cruzada. Entenda que o ser humano é falho e pode se esquecer. Mesmo que a pessoa fique brava, não fique chateado e não faça com que isso deixe-o sem graça de perguntar nas próximas vezes. A cada vez que você lembra a pessoa sobre a sua condição, você está educando-a sobre a doença celíaca e suas questões;
- Esteja atento a preparações feitas com ingredientes que contém glúten (molhos, empanados, peixes e massas são pratos fáceis de terem farinha de trigo e/ou farinha de rosca) e preste atenção também a preparações feitas com ingredientes fáceis de estarem contaminados (margarina, geleias e afins);
- Não se esqueça de que o beijo é uma forma de contaminação cruzada - portanto, quando seu/sua companheiro/a consumir glúten, tenham um combinado de ficarem nos selinhos e abraços até que ele possa escovar os dentes;
- Viu migalhas de pão na mesa? Não espere que o outro limpe pois para ele isso não é prejudicial e é algo super normal;
- Repita inúmeras vezes até que você compreenda que ninguém nunca vai ter o cuidado que você tem consigo mesmo. E o conselho que posso te dar é: também não espere isso de ninguém;
Você é o responsável pela sua saúde e se tem alguém que pode te amar e te respeitar muuuuito, essa pessoa é você - portanto, só você pode fazer o melhor por você mesmo;
- Quando alguém tiver cuidado com a sua alimentação, seja imensamente grato - e se ninguém tiver, mais um motivo para você se amar mais e mais;
- Quando bater raiva ou indignação, saia da situação, vá para um canto tranquilo e faça aquilo que você sempre faz para se acalmar (você pode bufar, respirar lentamente, contar até 10, rezar);
- Se estiver difícil se responsabilizar por tantas coisas, busque ajuda entre outros celíacos ou ajuda profissional (importante que o profissional tenha conhecimento do seu diagnóstico para não achar que tudo é psicológico);
- Denovo, tenha paciência - quando fazemos a nossa parte, a vida reconhece e nos presenteia com algo de bom; seja persistente e alimente esperança no seu coração;
- Leia todas as dicas abaixo, imaginando-se estar no lugar de quem convive com você - empatia funciona para resolução dos problemas.

Se você convive com um celíaco
- Tenha paciência, permita-se conhecer coisas novas que são passadas para você - afinal, o mundo muda a todo instante e o que você sabe sobre muitas coisas pode não ser o conhecimento mais atual alcançado pela ciência;
- Se o celíaco preferir não comer a sua comida, não se melindre; coloque-se no lugar dele e entenda que a situação é tão embaraçosa para ele quanto para você;
- Se for cozinhar, não tenha vergonha de perguntar e se informar, afinal aprender é algo muito nobre - celíacos estão acostumados a ensinar e a falar sobre seu cotidiano; costumam gostar de responder sobre a curiosidade das pessoas; só não gostam (aliás, detestam) ser confrontados nos cuidados necessários ou colocados para baixo (mas isso ninguém gosta, né?);
- Compreenda que cada um de nós somos responsáveis pela nossa saúde - portanto, o celíaco é responsável pela dele; não subestime isso duvidando de seu diagnóstico ou sintomas;
- Jamais faça perguntas irônicas que dêem a entender que o celíaco está com frescura - doença celíaca é uma doença autoimune e o tratamento para que a saúde não esteja prejudicada é dieta isenta de glúten, inclusive traços dele;
- Pare de fazer cara feia e permita-se aprender algumas coisas com o celíaco; ele pode ser um bom exemplo de pessoa disciplinada e cuidadosa;
 Leia todas as dicas acima, imaginando-se estar no lugar do celíaco - empatia funciona para resolução dos problemas.

Se você é o celíaco ou quem convive com ele
- Separem, na dispensa ou no armário da cozinha, prateleiras para o armazenamento dos alimentos do celíaco;
- Separem torradeira, geleias, margarina;
- Combinem uma maneira de sinalizar tudo o que for do celíaco - adesivos coloridos são uma boa forma de indicar aquilo que não pode ser usado por outras pessoas;
- Aprendam a ceder em alguns momentos, mas lembrem-se que o que está em jogo é a saúde de uma pessoa - deixem de orgulho e vejam o que é possível fazer e que fica bom para os dois lados;

Lembrem-se, família e amigos são uma das melhores coisas do mundo. Embora muitas vezes eles não sejam como gostaríamos, eles nos ensinam muito, principalmente nas situações difíceis. Tudo pode se ajeitar e dar certo, desde que ambos estejam dispostos para isso. 

Deixem o orgulho de lado, estejam abertos, respeitem-se e dialoguem muito!


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Receita de hoje: cookies incríveis de chocolate



Muitos de vocês devem ter salivado com uma foto que postei recentemente no facebook. Era uma mesa linda de café da tarde com pão de queijo, bolo de cenoura e cookies de chocolate. De fato, ela não estava só linda. Estava deliciosa!

A autora da receita de hoje que me perdoe, eu não me lembro quem é. Eu, bem cabeçudinha, salvei a receita em word e não lembro onde peguei. Eu acho que foi no grupo Viva sem glúten, mas não tenho certeza. Se alguém souber, me informem, por favor. E me desculpem a falha! 

Bom, essa receita é demais. Ela é deliciosa e simples de fazer. Os cookies fica bem macio, realmente incríveis. E atende a necessidade de muitas pessoas, pois é sem glúten, sem lactose e sem leite, sem soja e sem ovos. Uau!

Quem quer aprender? \o/ 

Separe os seguintes ingredientes:

- 3 colheres de chá de semente de linhaça 
- 1 colher de sopa de chia (opcional)
- 1/4 xícara de coco ralado fino/ farinha de coco
- 1/2 xícara de farinha de arroz
- 1/4 xícara de cacau ou chocolate em pó
- 1/2 xícara açúcar mascavo
- 1/3 xícara de óleo de coco (pode substituir por margarina, se preferir)
- 1/2 colher de café de bicarbonato

Coloque a linhaça em um potinho, cubra com água (cerca de 4 colheres de sopa) e deixe uns 5 minutos para que ela vire um gel (dessa forma, ela substitui o ovo). Enquanto isso, misture com as mãos, o restante dos ingredientes. Por último junte a linhaça e a chia. A massa ficará bem mole mas não se preocupe, é assim mesmo. Com as mãos, faça disquinhos e coloque em uma forma, que deve estar coberta com papel manteiga. Não deixe os cookies muito juntos porque eles crescem. Asse cerca de 15-20 minutos em forno baixo (se quiser testar, coloque o palito de dente; se ficar o buraquinho a massa já não está mais crua). Ao retirar os cookies do forno, eles podem estar moles mas não se preocupe, pois quando esfriarem, eles endurecerão.

Já deixou a mesa posta? Está na hora do café!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Receita de hoje: bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro | Mix Dolci Schär


Primeira receitinha do ano! Ebaaaaaa \o/

Embora a maioria das pessoas estejam de férias eu estou trabalhando demais nesse fim/começo de ano. Dei uma relaxada na alimentação e aí a vontade de gordice aparece com mais força. Mas o bom é que tudo isso vai acabar e aos poucos estou retomando minha vida "normal"!

Eu estava DOIDA por um bolo de chocolate mas sem a FSG da Aminna (que sempre uso nas minhas receitinhas). Meu noivinho amado está de férias e resolveu me ajudar, fazendo um bolo pra mim!

Iupiiii! Há uns dias atrás ele comprou a farinha Mix Dolci da Schär e resolveu usar no bolo de chocolate. A receita nós pegamos do site da Schär mesmo. Fizemos algumas adaptações e uma delas foi fazer o brigadeiro para jogar em cima (esse eu que fiz!). 

Ficou nota MIL!

Vamos aprender?

Separe os seguintes ingredientes:
2 xícaras de chá de açúcar
3 ovos (com claras e gemas separadas)
- 90 gramas de margarina
- 2 xícaras de chá de Mix Dolci Schär
- 1 xícara de chá de chocolate em pó (Nestlé, Garoto ou Fleischmann são marcas livres de contaminação cruzada até o momento)
- 1 xícara de chá de leite zero lactose (meu preferido tem sido o Molico, por ser desnatado, mas também confio no Piracanjuba)
- 1 colher de sopa de fermento em pó

Primeiro, em uma batedeira, bata o açúcar, as gemas e a manteiga até obter um creme leve e esbranquiçado. Sem parar de bater acrescente, aos poucos, a farinha Mix Dolci Schär e o chocolate em pó, alternando com o leite. Por último, misture delicadamente com uma colher o fermento e as claras batidas em neve. Em uma forma untada e enfarinhada, coloque a massa homogênea e asse em forno a 180 graus. No meu forno, que é elétrico, levou cerca de 40/45 minutos para ficar assado. 
O importante é não abrir o forno antes de 30 minutos e fazer o teste do palito, ok?

Enquanto isso, vamos preparar o brigadeiro!
- Meia caixinha de leite condensado zero lactose (uso sempre Piracanjuba)
- 1 colher de sobremesa rasa de chocolate em pó
- 1 colher de sobremesa não muito rasa de margarina 

Misture tudo em um refratário e leve ao micro-ondas ou fogão para preparar. Costumo fazer no micro-ondas porque não sou muito boa para fazer brigadeiro de panela sem deixar bolinhas. Também, costuma ser rápido e só precisa ficar de olho para o brigadeiro não transbordar. O ponto não deve ser de brigadeiro porque depois que esfria ele dá uma endurecida. Pode deixar mais líquido que ficará mais fácil para espalhar no bolo. 

Estando pronto, jogue o brigadeiro por cima do bolo e, se quiser, acrescente granulado para enfeitar. 

De comer rezando! 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Aceite, agradeça e confie



Nos primeiros dias após o diagnóstico, sonhei duas vezes que estava comendo glúten: um dia foi pãozinho francês e no outro, pastel! Uma baita tortura, né?

Para muitos, motivo de desespero, tristeza e até revolta. Para outros, ainda que a minoria, uma verdadeira lição de aceitação e compreensão daquilo que de alguma forma nos foi imposto. Ninguém escolhe ser celíaco ou ter qualquer outra restrição alimentar. Mas uma coisa nós escolhemos: sermos felizes ou não; aceitarmos ou não, de peito aberto, as dificuldades que nos são impostas e o melhor de tudo, em paz. 

Chorei muito no dia do diagnóstico mas decidi que não iria ser aquilo que me tornaria uma pessoa amarga, de mal com a vida. Abri os olhos e coração para viver uma nova vida. E com tanta vontade de que desse certo, ela veio com todas as surpresas agradáveis. O que me deixa muito feliz? Saber que isso não foi um privilégio pra mim; que assim como aconteceu comigo, pode acontecer com qualquer um. Pode acontecer com você que está lendo esse texto. 

O nosso caminho somos nós quem trilhamos. A chegada dependerá dos sapatos que usamos nessa caminhada e, principalmente, do que estava cheio o nosso coração. Oras, é natural ficarmos impactados com uma notícia que mudará nossa rotina. Podemos chorar e querer acreditar que não é verdade. Podemos descontar nossa ira e achar que tudo não passou de um castigo divino. Ah! Mas e quando tudo isso dura um tiquinho de tempo e logo percebemos que aqueles sintomas foram embora, que conhecemos novos produtos e receitas e, mais do que isso, e pessoas incríveis que vivem como nós? Sim, é chegada a consciência de que nos libertamos de algo que nos fazia mal por inteiro! 

Acredito muito na inteligência do corpo humano. Eu sempre fui a criança que não gostava de tomar leite e comer pizza. A adolescente que nunca gostou de cerveja e de miojo. Como meu corpo deu sinais de que tudo isso fazia mal pra mim. Tapei meus ouvidos por muito tempo, por motivos que até desconheço. Mas quando abri os olhos e ouvidos, estava eu lá, celíaca e intolerante a lactose; parei de consumir tudo o que me fazia mal. E como é bom comer pizza sem glúten de vez em quando. O leite, a cerveja e o miojo ficaram no esquecimento, assim como o pãozinho francês, que era meu preferido. Acreditem se quiser e eu nem sei como isso aconteceu, fiquei bloqueada de sentir vontade de comer tudo o que me faz mal. Sempre digo as pessoas que elas não se sintam mal por comer, na minha frente, algo que não posso comer. Aquele bolo recheado bem bonito ou aquele salgadinho quentinho bem glutenosos simplesmente não me apetecem. Bom, eles me apetecem para descobrir a receita da versão sem glúten. Mas não mais para comer. 

O que eu fiz para que tudo isso acontecesse? Aceitei, agradeci e confiei! Aceitei que dali pra frente viveria uma nova vida com novos sabores, agradeci a Deus por ter descoberto o que me fazia tão mal e por não ser nada que eu não pudesse controlar e confiei (muito!) de que tudo daria certo. E fiz dar. Tudo isso com o apoio de pessoas que me amam, que me fizeram acreditar que depois da tempestade vem o arco íris e que atrás dele tem um mundo de possibilidades. Uma delas é estar aqui, incentivando vocês a serem não só pessoas que não comem mais o glúten, mas a serem melhores, a cada dia; a se amarem mais e mais e se permitirem ser felizes!

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