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terça-feira, 22 de março de 2016

"Os produtos sem glúten estão muito caros!" Vamos refletir sobre isso?



O trabalho de tomada de CONSCIÊNCIA é fundamental para a nossa sobrevivência e busca pela FELICIDADE. Afinal, quem não quer ser feliz? 

Ultimamente, tenho me deparado, inúmeras vezes, com a frase: "os produtos sem glúten são (estão) muito caros"!

Concordo plenamente. Mas, como mudar? Querendo, por mágica, que os impostos sobre os produtos diminuam? Brigando com todo mundo por achar que é a maior injustiça não ser uma pessoa rica mas celíaca?

Pensem comigo: do que nós necessitamos para sermos felizes? 

Trabalho e me considero uma pessoa privilegiada perante a realidade do nosso país mas confesso a vocês, me recuso a pagar o preço que alguns produtos sem glúten possuem. Simplesmente porque não necessito deles para ser saudável e feliz. Olho para um pacote de bolacha recheada, vejo o preço e quase caio para trás. Penso em pegar e logo minha consciência me dá um bronca: o que tem nesse pacote de bolacha que vai suprir minhas necessidades?

Somos imperfeitos! Temos desejos e parece que eles ficaram maiores depois do diagnóstico. Não é assim com vocês também? A gente pode se permitir mas sempre refletindo: "a que custo?" 
Viver com equilíbrio é um belo desafio!

Dificilmente os produtos industrializados sem glúten terão preço justo no nosso país. E sabem por que? Porque reclamamos mas continuamos a comprar. Sabem o que os europeus fazem quando um produto está caro? Boicotam, não compram. É claro que estou falando de coisas supérfluas. Mas carne, arroz, feijão, verdura, legumes...estão todos aí, ao nosso dispor e o melhor, naturalmente sem glúten. 

Vamos consumir sim, mas com equilíbrio e consciência! Adoro quando o Jamie Oliver incentiva as famílias a voltarem a cozinhar, quando ele prepara uma refeição saborosa com frutas, verduras e legumes e carne. Gente, a partir desses ingredientes desenvolvemos coisas magníficas. Como isso me encanta! 
Mas, insistimos...Deixamos de comprar alimentos realmente necessários para o nosso corpo para comprar um pacote de bolacha a dez reais, com gordura e tudo o que não necessitamos mas, claro, sem glúten. Por isso, nem tudo que é sem glúten é saudável, pois continua a ter, em grande quantidade, tudo o que também nos faz mal, açúcar, sódio, etc.

Ser celíaco não é só para deixarmos de comer glúten. É uma oportunidade belíssima que ganhamos para adotarmos um estilo de vida saudável, incluindo alimentos sem glúten (e sem contaminação cruzada) mas, mais do que isso, que vão nos ajudar a recuperar nosso intestino e dar forças para o nosso sistema imunológico. 

E sabem por que muitos celíacos ou pessoas com intolerâncias/alergias múltiplas ainda assim são felizes? Porque essas pessoas estão fazendo a lição de casa muito bem: estão enxergando o diagnóstico como uma oportunidade de mudar para melhor! E aí, o que vier da dificuldade de ser celíaco (ou intolerante/alérgico a qualquer outro alimento) será puro aprendizado.

Ah! E como eu já aprendi nesse tempo...
Tão melhor focarmos nas possibilidades, naquilo que nós podemos e damos conta de fazer!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Como conviver com o inimigo dentro de casa? | Lições para o celíacos e para quem convive


"Moro com meus pais, irmãos (ou amigos) e todos consomem glúten. Como me cuidar?"

Vocês  não imaginam a quantidade de vezes que leio ou recebo perguntas assim. Nos grupos nas redes sociais, no email do blog, nas mensagens pela página no facebook. Todos com a mesma preocupação (o glúten e a contaminação cruzada) e mesmo problema (convivência com alguém que se alimenta do nosso inimigo). 
Então, eu pensei: "Por que não compartilhar minha experiência com outras pessoas"? 

Sim, eu moro com meus pais e irmã e eles comem glúten. Uns lerão e dirão: "Que absurdooooo! Como você vive em uma casa com glúten?" ou poderão acrescentar que minha família é egoísta, que deveria parar de comer também para que eu restabelecesse minha saúde. Eu não penso assim e vou te dizer porque. A saúde é minha e eu sou a única responsável por ela. Por meio das minhas escolhas, serei saudável ou não. Portanto, se meus familiares consomem glúten, cabe a mim entender que não tenho controle sobre o outro e nem posso obrigá-los a não comerem glúten da mesma forma que eles não podem me obrigar a comer alimentos com glúten. Quando eu compreendo isso, no fundo do meu coração, eu passo a viver melhor e em paz. 

Apesar da minha família não ser tãããão consumidora do glúten, eles comem pão (todos os dias) e macarrão (muito de vez em quando). Sim, de vez em quando eu acordo e tem migalhas de pão na mesa onde tomo café, de vez em quando minha mãe faz um café para as amigas com uma mesa repleta de alimentos com glúten. Nessas horas, antes de enraivecer, devemos nos perguntar uma coisa: nesse momento, eu tenho condições de sair de casa? Se sim, é uma boa opção, desde que você decida viver sozinho para sempre, você e uma casa 101% sem glúten. Mas se não, está na hora de transformar. E eu falo da sua transformação, não a da sua família. A única pessoa que podemos mudar é a nós mesmos, por mais que isso nos doa ou nos cause revolta. É claro que se a família também entende isso, a convivência fica muito melhor. 

Não vivemos isolados, sozinhos, dentro de uma bolha e rigidez não traz felicidade a ninguém. Mas, denovo, repito: a saúde é minha, eu sou responsável por ela. Logo, se eu transgrido a alimentação segura, se sou flexível em aceitar a contaminação e se como um pouquinho de glúten quando não resisto, a responsabilidade não é do outro, é só minha. Ter um celíaco na família exige paciência e respeito de ambos os lados. Se ninguém cede, fica impossível. 

Se você é o celíaco
- Tenha paciência, vá educando sua família e se não se sentir seguro com a alimentação feita, não coma. Diga o porquê e numa boa, prepare sua refeição. Sua saúde deve vir em primeiro lugar. Se o outro se melindra ou fica chateado com isso, é ele quem precisa rever sua forma de lidar com as situações e não você;
- Sempre que for comer a comida feita por alguém, certifique-se de que ali não tem risco de contaminação cruzada. Entenda que o ser humano é falho e pode se esquecer. Mesmo que a pessoa fique brava, não fique chateado e não faça com que isso deixe-o sem graça de perguntar nas próximas vezes. A cada vez que você lembra a pessoa sobre a sua condição, você está educando-a sobre a doença celíaca e suas questões;
- Esteja atento a preparações feitas com ingredientes que contém glúten (molhos, empanados, peixes e massas são pratos fáceis de terem farinha de trigo e/ou farinha de rosca) e preste atenção também a preparações feitas com ingredientes fáceis de estarem contaminados (margarina, geleias e afins);
- Não se esqueça de que o beijo é uma forma de contaminação cruzada - portanto, quando seu/sua companheiro/a consumir glúten, tenham um combinado de ficarem nos selinhos e abraços até que ele possa escovar os dentes;
- Viu migalhas de pão na mesa? Não espere que o outro limpe pois para ele isso não é prejudicial e é algo super normal;
- Repita inúmeras vezes até que você compreenda que ninguém nunca vai ter o cuidado que você tem consigo mesmo. E o conselho que posso te dar é: também não espere isso de ninguém;
Você é o responsável pela sua saúde e se tem alguém que pode te amar e te respeitar muuuuito, essa pessoa é você - portanto, só você pode fazer o melhor por você mesmo;
- Quando alguém tiver cuidado com a sua alimentação, seja imensamente grato - e se ninguém tiver, mais um motivo para você se amar mais e mais;
- Quando bater raiva ou indignação, saia da situação, vá para um canto tranquilo e faça aquilo que você sempre faz para se acalmar (você pode bufar, respirar lentamente, contar até 10, rezar);
- Se estiver difícil se responsabilizar por tantas coisas, busque ajuda entre outros celíacos ou ajuda profissional (importante que o profissional tenha conhecimento do seu diagnóstico para não achar que tudo é psicológico);
- Denovo, tenha paciência - quando fazemos a nossa parte, a vida reconhece e nos presenteia com algo de bom; seja persistente e alimente esperança no seu coração;
- Leia todas as dicas abaixo, imaginando-se estar no lugar de quem convive com você - empatia funciona para resolução dos problemas.

Se você convive com um celíaco
- Tenha paciência, permita-se conhecer coisas novas que são passadas para você - afinal, o mundo muda a todo instante e o que você sabe sobre muitas coisas pode não ser o conhecimento mais atual alcançado pela ciência;
- Se o celíaco preferir não comer a sua comida, não se melindre; coloque-se no lugar dele e entenda que a situação é tão embaraçosa para ele quanto para você;
- Se for cozinhar, não tenha vergonha de perguntar e se informar, afinal aprender é algo muito nobre - celíacos estão acostumados a ensinar e a falar sobre seu cotidiano; costumam gostar de responder sobre a curiosidade das pessoas; só não gostam (aliás, detestam) ser confrontados nos cuidados necessários ou colocados para baixo (mas isso ninguém gosta, né?);
- Compreenda que cada um de nós somos responsáveis pela nossa saúde - portanto, o celíaco é responsável pela dele; não subestime isso duvidando de seu diagnóstico ou sintomas;
- Jamais faça perguntas irônicas que dêem a entender que o celíaco está com frescura - doença celíaca é uma doença autoimune e o tratamento para que a saúde não esteja prejudicada é dieta isenta de glúten, inclusive traços dele;
- Pare de fazer cara feia e permita-se aprender algumas coisas com o celíaco; ele pode ser um bom exemplo de pessoa disciplinada e cuidadosa;
 Leia todas as dicas acima, imaginando-se estar no lugar do celíaco - empatia funciona para resolução dos problemas.

Se você é o celíaco ou quem convive com ele
- Separem, na dispensa ou no armário da cozinha, prateleiras para o armazenamento dos alimentos do celíaco;
- Separem torradeira, geleias, margarina;
- Combinem uma maneira de sinalizar tudo o que for do celíaco - adesivos coloridos são uma boa forma de indicar aquilo que não pode ser usado por outras pessoas;
- Aprendam a ceder em alguns momentos, mas lembrem-se que o que está em jogo é a saúde de uma pessoa - deixem de orgulho e vejam o que é possível fazer e que fica bom para os dois lados;

Lembrem-se, família e amigos são uma das melhores coisas do mundo. Embora muitas vezes eles não sejam como gostaríamos, eles nos ensinam muito, principalmente nas situações difíceis. Tudo pode se ajeitar e dar certo, desde que ambos estejam dispostos para isso. 

Deixem o orgulho de lado, estejam abertos, respeitem-se e dialoguem muito!


domingo, 13 de dezembro de 2015

Aceite, agradeça e confie



Nos primeiros dias após o diagnóstico, sonhei duas vezes que estava comendo glúten: um dia foi pãozinho francês e no outro, pastel! Uma baita tortura, né?

Para muitos, motivo de desespero, tristeza e até revolta. Para outros, ainda que a minoria, uma verdadeira lição de aceitação e compreensão daquilo que de alguma forma nos foi imposto. Ninguém escolhe ser celíaco ou ter qualquer outra restrição alimentar. Mas uma coisa nós escolhemos: sermos felizes ou não; aceitarmos ou não, de peito aberto, as dificuldades que nos são impostas e o melhor de tudo, em paz. 

Chorei muito no dia do diagnóstico mas decidi que não iria ser aquilo que me tornaria uma pessoa amarga, de mal com a vida. Abri os olhos e coração para viver uma nova vida. E com tanta vontade de que desse certo, ela veio com todas as surpresas agradáveis. O que me deixa muito feliz? Saber que isso não foi um privilégio pra mim; que assim como aconteceu comigo, pode acontecer com qualquer um. Pode acontecer com você que está lendo esse texto. 

O nosso caminho somos nós quem trilhamos. A chegada dependerá dos sapatos que usamos nessa caminhada e, principalmente, do que estava cheio o nosso coração. Oras, é natural ficarmos impactados com uma notícia que mudará nossa rotina. Podemos chorar e querer acreditar que não é verdade. Podemos descontar nossa ira e achar que tudo não passou de um castigo divino. Ah! Mas e quando tudo isso dura um tiquinho de tempo e logo percebemos que aqueles sintomas foram embora, que conhecemos novos produtos e receitas e, mais do que isso, e pessoas incríveis que vivem como nós? Sim, é chegada a consciência de que nos libertamos de algo que nos fazia mal por inteiro! 

Acredito muito na inteligência do corpo humano. Eu sempre fui a criança que não gostava de tomar leite e comer pizza. A adolescente que nunca gostou de cerveja e de miojo. Como meu corpo deu sinais de que tudo isso fazia mal pra mim. Tapei meus ouvidos por muito tempo, por motivos que até desconheço. Mas quando abri os olhos e ouvidos, estava eu lá, celíaca e intolerante a lactose; parei de consumir tudo o que me fazia mal. E como é bom comer pizza sem glúten de vez em quando. O leite, a cerveja e o miojo ficaram no esquecimento, assim como o pãozinho francês, que era meu preferido. Acreditem se quiser e eu nem sei como isso aconteceu, fiquei bloqueada de sentir vontade de comer tudo o que me faz mal. Sempre digo as pessoas que elas não se sintam mal por comer, na minha frente, algo que não posso comer. Aquele bolo recheado bem bonito ou aquele salgadinho quentinho bem glutenosos simplesmente não me apetecem. Bom, eles me apetecem para descobrir a receita da versão sem glúten. Mas não mais para comer. 

O que eu fiz para que tudo isso acontecesse? Aceitei, agradeci e confiei! Aceitei que dali pra frente viveria uma nova vida com novos sabores, agradeci a Deus por ter descoberto o que me fazia tão mal e por não ser nada que eu não pudesse controlar e confiei (muito!) de que tudo daria certo. E fiz dar. Tudo isso com o apoio de pessoas que me amam, que me fizeram acreditar que depois da tempestade vem o arco íris e que atrás dele tem um mundo de possibilidades. Uma delas é estar aqui, incentivando vocês a serem não só pessoas que não comem mais o glúten, mas a serem melhores, a cada dia; a se amarem mais e mais e se permitirem ser felizes!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Não considere a doença celíaca um fardo | 5 verdades



Após assistir diversos programas que trazem o tema glúten (e algumas vezes doença celíaca também), pensei em fazer algumas considerações com relação ao que geralmente é abordado. 

Por mais que tenhamos nossos apontamentos, existe um lado positivo: mais pessoas falando e conhecendo a doença celíaca, o que significa que estamos conquistando nosso espaço para falar de algo que atinge muitas pessoas que desconhecem o problema. Sejamos críticos no sentido de ouvir a informação e saber distingui-la mas não sejamos críticos a ponto de só olhar para o lado negativo das coisas. Por isso a leitura e a troca de informações com outros celíacos é fundamental. O conhecimento é que nos ajuda a fazer boas escolhas.

NÃO ELIMINE O GLÚTEN DA ALIMENTAÇÃO SEM ANTES FAZER O EXAME DE DOENÇA CELÍACA! Você pode ser celíaco e não saber e, sendo celíaco, há outros cuidados mais detalhados (com a contaminação cruzada, por exemplo) que devem ser seguidos a risca. Tirando o glúten antes da realização de exames não trará os resultados fidedignos. Para fazermos os exames necessários para o diagnóstico, precisamos estar ingerindo glúten. Se você tem qualquer desconfiança de intolerância ao glúten, faça os exames e tire a dúvida. O talvez é muito ruim!

० Vocês já repararam, nas reportagens, que as pessoas que eliminaram o glúten da alimentação, aprenderam a FAZER NOVAS E BOAS ESCOLHAS?! Não se trata só de eliminar o glúten! Trata-se de equilíbrio, de conhecer um mundo além da farinha de trigo. Sou o exemplo disso: hoje, com 3 anos de diagnóstico, me sinto muito mais saudável do que antes. Além de meus problemas de saúde terem ido embora, aumentei meu consumo de frutas, verduras e legumes. Sendo celíaca, me tornei mais disciplinada e aprendi (e ainda aprendo!) a escolher alimentos que vão nutrir, de verdade, meu corpo e minha mente. Além dos alimentos sem glúten, passei a buscar uma vida saudável por inteiro. Aprendi a cozinhar e amar o meu corpo e a minha vida.

० Por isso, não adianta nada, tanto para celíacos quanto para pessoas que eliminaram o glúten por opção, deixar de consumi-lo e continuar a comer doces, por exemplo. Não é uma substituição saudável e não vai te trazer saúde e, consequentemente, emagrecimento. Quando fazemos boas escolhas, o emagrecimento vira uma consequência. SOMOS O QUE COMEMOS e equilíbrio é fundamental!

NÃO, NÓS NÃO PASSAMOS FOME E NEM VONTADE! Pode debochar a vontade da nossa condição. Apesar de ser uma maneira desrespeitosa de lidar com o assunto, garanto que se aqueles que debocham vissem o meu café da manhã, certamente deixariam de debochar porque aprendi a fazer boas escolhas e mais do que isso, que só passa fome e vontade quem não tem disposição. Matamos um leão por dia sim. Não é fácil! Mas também ninguém disse que ia ser. Se essas pessoas frequentassem os lugares que frequento para me alimentar bem e matar minhas vontades, certamente saberiam que apesar de todas as dificuldades, a felicidade mora dentro da gente e não só em uma mesa de refeição. Mora nas companhias que temos no nosso dia-a-dia, na força que ganhamos e damos entre nós.

SOMOS CAPAZES! E somos porque temos ao nosso lado pessoas que nos amam e não medem esforços para ver um sorriso nosso. Somos porque mesmo que não tenhamos apoio de todos, tiramos todas as nossas forças para enfrentar o que vier. Não temos que mudar o outro, temos que nos fortalecer para enfrentarmos o que tivermos que enfrentar, seja o preconceito ou a hostilidade do outro. 

E eu sempre gosto de lembrar que o deboche, a falta de respeito ou a falta de empatia com o outro é tão absurda porque a pessoa nunca pensa que um dia pode acontecer com ela. Ninguém está livre de ser acometido por uma alergia/intolerância alimentar ou qualquer outro diagnóstico. Então, antes de qualquer comentário debochado ou maldoso, devemos sempre no colocar no lugar do outro. E se não temos nada a acrescentar com as nossas palavras, o silêncio também é resposta, não é?

terça-feira, 28 de julho de 2015

Você tem vergonha de assumir sua marmita? Vamos conversar!


Antes do diagnóstico eu tinha uma pontinha de vergonha sim. Eu não sei porque raios as pessoas (ainda hoje) associam marmita a falta de classe, condição socioeconômica ou sei lá qual relação mais preconceituosa que possa existir. 

Como eu vejo essa situação hoje em dia? "Tô nem aí, tô nem aí..."

Às vezes as pessoas nos olham como se pensassem: "ele(a) deve estar com a marmita por ter algum problema!" 

Hein, PROBLEMA?!

Vamos combinar! Problema tem as pessoas preconceituosas, indisciplinadas ou mal educadas. Nós, celíacos, andamos com as nossas marmitinhas, pra lá e pra cá, justamente para não termos problemas. Quem me conhece sabe que a minha é inseparável, não vivo sem. 
E digo mais, enquanto outras pessoas criam problemas se alimentando inadequadamente (principalmente fugindo da dieta que deveriam seguir rigorosamente), a marmita resolve os meus. 
Para a maioria das perguntas que ouço, a resposta é sempre a mesma:
"Como você faz quando vai trabalhar?" 
Resposta: levo minha marmita

"Como você faz para viajar?"
Resposta: levo minhaS marmitaS

"Como você faz para ir a um casamento?"
Resposta: levo minha marmitinha

"Nossa! Mas como você faz quando todo mundo vai em um restaurante que você não pode comer?"
Resposta: "Oras, levo minha marmita!"

E levo mesmo!
Recentemente, meu pai já comemorou aniversário em um restaurante e eu não quis me arriscar. O que eu fiz? Comprei minha torta de frango preferida na Crumble, esquentei em casa e levei para o restaurante. Abri e comi com e como todo mundo. Já levei (e ainda levo) minha marmita para a praia, para o trabalho, restaurantes, lanchonete, viagens (nas fotos de ida para os EUA, lá estou eu segurando a minha marmitinha), zoológico, parque, congresso (ou outros locais onde tem coffee break glutenoso) e festas (casamento já levei umas várias vezes). Quem me acompanha pelo facebook sabe bem disso, sempre posto para onde estou levando minha marmitinha.

Inclusive, até já fiz um post sobre isso; sobre o estilo marmiteira de ser. É imperdível porque tem cada marmitinha fofa. Cliquem aqui para ver!

No final das contas, eu sinto orgulho de seguir a risca minha dieta, ser uma pessoa disciplinada e de bem comigo mesma. O que o outro pensa ou deixa de pensar sobre a minha marmita não faz diferença na minha vida. Afinal, como eu disse...problema tem as pessoas que nos olham torto.
Minha marmita me salva e me faz aproveitar tantos momentos bacanas.
Vejam essa foto!


Para vocês, só o registro de um pôr-do-sol. Mas, eu presenciei esse presente divino e incrível! Foi o cenário do casamento de um casal de amigos. O celíaco que se apega ao fato de não poder comer o que é servido em um casamento perde oportunidades como essa. Aceitar o diagnóstico e não ter vergonha de levar sua própria comidinha nos ajuda a não perder momentos valiosos como esse entre amigos queridos. 

Em 99% das vezes sempre fui bem recebida e atendida, nas minhas necessidades, pelos buffets responsáveis pelas festas. De quebra, sempre sobra curiosidade por parte dos funcionários que fazem perguntas sobre a minha condição ou comentam que também conhecem alguém assim. Ou seja, uma outra ótima oportunidade de plantar a sementinha do conhecimento sobre a doença celíaca e percebermos que não estamos sozinhos nesse mundão de meu Deus.

Eu escolhi não perder um segundo sequer do que a vida tem pra me oferecer mesmo quando ela já me impôs uma restrição alimentar. E você, vai continuar emburrado até quando? Se joga na marmita!

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