sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ser noiva, casar e ser celíaca: uma combinação que pode dar certo...e deu!

Meu Deus! Desde abril sem escrever aqui. Tenho preferido escrever na página do facebook porque acredito ser mais dinâmico, tanto pra mim quanto para vocês. 

Três meses após o casamento é que estou conseguindo sentar e começar a escrever sobre duas experiências maravilhosas que tive na vida: meu casamento e a nossa lua de mel. Vou dividir as publicações para não ficar muito longo e prometo compartilhar tudo o que tenho na memória sobre esses dois grandes momentos da minha vida. Sou celíaca, fui noiva e hoje sou esposa e SIM, é possível ser tudo isso e ser feliz. Não que não seja cansativo mas quando temos disposição e apoio daqueles que nos amam, tudo fica mais leve. 

Bom, não sei se vocês vão se lembrar mas no final de Dezembro de 2014, fiquei noiva durante uma viagem para a Disney. Contei em um post como foi a viagem inteirinha (se quiser acessar, clique aqui para ver!). Foi maravilhosa! Recomendo para todos, especialmente para quem tem alguma necessidade alimentar especial. 

Quando voltamos da Disney, começamos a planejar o casamento, como seria tudo, especialmente a minha alimentação. Quem acompanha o blog, sabe que eu sou super adaptável, levo marmita para todo lugar, inclusive nos casamentos em que somos convidados. Mas, no nosso casamento, eu não queria levar marmita mas também não queria comer nada contaminado. Mais do que isso, eu gostaria que os meus convidados celíacos se sentissem seguros e felizes, sem precisar levar marmita. Coloquei isso na cabeça e quando enfio uma coisa na cabeça, só tiro se estiver muito fora do meu orçamento. Com a minha teimosia (sim, porque 90% das pessoas me diziam que seria impossível), comecei a pesquisar, pesquisar e pesquisar. 

Eu fiz muitas coisas para o nosso casamento: coisas para decoração, meu cabide de noiva, a parte gráfica, as lembrancinhas das madrinhas, enfim...participei de tudo de maneira bastante ativa. Mas a comida seria praticamente impossível, né. 

Minha primeiríssima ideia era fazer um casamento todo sem glúten, inclusive sem contaminação cruzada. Logo que fui conhecer o local onde me casei, o Villa do Lago, conversei muito com o proprietário, expliquei a situação, ele compreendeu e aceitou o desafio de fazer uma festa sem glúten. A esposa dele não come carnes, tem uma alimentação saudável e portanto, ele estava aberto a abraçar a minha ideia. 
No entanto, com o passar do tempo, fui percebendo que isso era impossível mediante a estrutura de uma única cozinha, especialmente quando tem casamento o fim de semana todo, um dia após o outro. Esse poderia ser o meu caso, já que me casei no sábado e poderia acontecer um casamento na sexta. Então, desisti de ideia. 
Comecei a pensar em outra forma de ter um casamento seguro para  mim e meus convidados celíacos (ao todo, éramos 5 + meu marido que conto como celíaco). Isso quer dizer, sem contaminação cruzada. Eis que tive a ideia de ter dois cardápios: um para celíacos e outro para o restante dos convidados. A Tais, da Crumble Cozinha, é minha amiga e eu confio demais no trabalho dela, tanto pelo sabor quanto pela questão da contaminação cruzada. Conversamos sobre o assunto e ela topou a ideia. Ela tinha um grande desafio: cuidar da alimentação dos celíacos, incluindo a da noiva (nesse caso, euzinha!), e ser convidada, ou seja, curtir a festa. Aliás, convidada era o principal papel dela. Foi um grande presente ter tudo isso numa amiga tão querida por mim e pelo meu marido. 

Com o buffet, organizei todo o cardápio sem a presença dos famosos pães. Além disso, tudo o que poderia levar farinha de trigo foi substituído pelo amido de milho. Esse foi um combinado com o buffet e também constou em contrato. Mas por que decidi assim? Imagina uma festa com mais de 200 pessoas. Agora, pensa na quantidade de funcionários. É bem difícil treinar todos para a conscientização a respeito da doença celíaca para um dia tão especial. Ou seja, não podia dar errado. E, antes de me expor ao risco, eu jamais poderia expor meus amigos queridos ao glúten. Imagina alguém passa mal bem no dia do meu casamento! Eu nunca iria me perdoar. Onde há pão, há migalhas e elas se procriam absurdamente, grudam em tudo e eu não queria isso de jeito nenhum. 

Bom, cardápio com o buffet finalizado, conversamos sobre a possibilidade da Tais ter um cantinho separado para o preparo e montagem dos pratos dos celíacos. Nem preciso dizer que o buffet foi super receptivo. O Maurício, proprietário, e a Patrícia, braço direito dele, foram incríveis em cada detalhe, tudo o que eles podiam fazer para contribuir e deixar do meu jeito, eles fizeram. Me ofereceram conhecer o espaço da cozinha e do recebimento de compras. E foi ali, na área de recebimento, que a Tais montou uma pequena estrutura para servir aos celíacos. Deixou os pratos pré-preparados, levou um forno para finalizar os pratos e deixou um funcionário de sua confiança para cuidar da alimentação. Não preciso dizer que profissional como ela é, saiu da festa várias vezes para conferir se tudo estava saindo conforme o combinado, mesmo eu pedindo para que ela esquecesse a cozinha. É ou não é nota mil?

Mas você deve estar se perguntando como contamos aos convidados sobre tudo isso, certo? Ou seja, como um celíaco deveria se servir. Bom, todos eles sabiam sobre a alimentação separada. Em cada mesa da festa, havia o cardápio geral, para os não celíacos. Embaixo, no rodapé, havia uma informação de que a refeição do celíaco estava separada e, para isso, ele deveria solicitar o cardápio especial ao garçom. Pelo cardápio, o celíaco escolhia o que queria e o prato vinha montado. Optamos dessa forma porque caso deixássemos os pratos expostos, as pessoas teriam curiosidade em experimentar e enfim, a contagem do número de pessoas iria por água abaixo. Combinei com os cerimonialistas e o buffet e deixamos um garçom para atender os celíacos. 

Vejam como ficou:


Cardápio na decoração
Cardápio para os convidados não celíacos
Cardápio dos celíacos

Gente, o cardápio dos celíacos ficou demais, não ficou? Não perdemos em nada para o outro cardápio. Ficou melhor do que eu imaginava! A Taís arrasou em tudo. Ela quem montou o cardápio, discutimos e aceitei todas as sugestões dela. A noiva aqui não conseguiu comer muito, acho que era ansiedade. Hoje, eu queria ter a oportunidade de comer tudo, saboreando cada minuto. Eu e meu marido amamos absolutamente tudo o que comemos. Acreditam que eu que fiz a arte gráfica dos cardápios? Só mandei para a gráfica imprimir e cortá-los. 

Verifiquei, junto ao buffet, a questão das bebidas e a áreas das comidas e bebidas não eram juntas, ou seja, isso eliminava o possível contato de cerveja (única bebida com glúten na festa) com a comida dos celíacos. 


Foto tirada pela Tais

Foto tirada pela Tais
Agora, vamos falar do bolo e dos docinhos? Para os convidados não celíacos, os docinhos servidos, que estavam na mesa de doces, eram da Le Sofiah. Apesar de usarem um chocolate sem glúten, havia a possibilidade de contaminação na cozinha. Por isso, assim como com a comida, decidimos separar. Nos docinhos da Le Sofiah apenas um tipo tinha glúten: os brigadeiros, mas isso não contaminaria em nada a comida dos celíacos. 

Sobre o bolo, quero falar que foi outro presente maravilhoso em nossas vidas! Sim, feito por uma pessoa que amo e admiro imensamente. Ou melhor, eu e meu marido. Nossa linda, querida e topíssima Carla Serrano. Gente, rolou até degustação. O bolo era maravilhoso e claro, sem glúten. tinha apenas lactose devido ao custo que seria fazê-lo sem leite. Todos os convidados, celíacos ou não, comeram o mesmo bolo. Chocolate, cereja...Huuum! 
A Carla também era nossa convidada, é uma amiga que a doença celíaca me deu. Acreditam que ela foi para Ribeirão Preto, gravidíssima, super barriguda? Ela foi levada pelos queridos amigos Beth e Marcos, da Sabor de Saúde, e lá finalizou o bolo, que era de corte. O bolo que estava na mesa de doces era fake, apenas enfeite para as fotos.
O bolo sem glúten + bolo de mesa
Essa foto foi tirada pela Carla Serrano, com uma das plaquinhas do casamento

Ah! Vocês conhecem a tradição de guardar, no freezer, o bolo e comer exatamente 1 ano após o casamento? Garantimos nosso pedacinho para o dia 27.08.2017! Vai passar tão rápido! 

Quanto aos docinhos, contratei os serviços da MagiCake. Eles foram preparados com muuuuito carinho pela Lívia. Ela me ajudou na escolha, fez degustação e ficou tudo incrível também. Os docinhos foram colocados em uma caixinha separada e entregue para cada convidado celíaco. Para mim e meu marido, também havia caixas com docinhos. A entrega dos docinhos ficou sob a responsabilidade dos cerimonialistas (impecáveis). Vejam que amor que as caixinhas ficaram!

Caixinha de doces para os celíacos
Fiz um cartãozinho para a Lívia colocar em cada caixinha - "Sem glúten e sem leite 
mas feito com muito carinho para você!"
Agora, vamos falar das lembrancinhas, que saíram do tradicional bem-casado. Quisemos suspiros! Ficou tão fofo, gente! Os suspiros não continham glúten e, de acordo com as respostas colhidas pela pessoa que os fez, parecia não ter contaminação cruzada. No entanto, era a primeira vez que contratava o serviço, não fui verificar pessoalmente, então não quis arriscar os convidados. Depois do casamento, eu comi e não tive nenhuma reação. Adorei e virei fã. Foram feitos pela Maria Aparecida, aqui de Tatuí. Ela só produz suspiros, então não tem o risco de contaminação cruzada. 

Suspiros! 
Aquele café, servido no final da festa eu confesso que esqueci completamente de pensar em nós. Mas sobrou tanta comida que acho que os convidados não deram conta de comer tudo. De qualquer forma, os petit four apesar de serem sem farinha de trigo, poderiam ter contaminação e famosa gelatina de pinga, feita pela minha avó, apesar de não ter glúten, sem querer ela usou uma gelatina contaminada. Então, não liberamos a tão falada gelatina de pinga para os celíacos. 

Mesa de café com a famosa gelatina de pinga da Vó Eurides
Bom, gente, foi isso! Foi tudo muito melhor do que eu imaginava! Contei com o trabalho impecável do buffet, dos cerimonialistas, enfim, foi meu verdadeiro sonho sem contaminação cruzada! Só tenho a agradecer por todos os profissionais que fizeram parte desse sonho, aos nossos pais e ao meu marido, meu verdadeiro companheiro de aventuras sem glúten (como eu sempre o chamo). Ah! Você deve estar se perguntando o que meu marido comeu e bebeu na festa! A mesma comida que eu e cerveja sem glúten. Ele comprou uma caixa com cervejas sem glúten e só bebeu essas. Muito amor e companheirismo envolvido! Como eu iria beijar o novo com a boca cheia de glúten, não é?

Essas fotos bonitonas e super profissionais foram tiradas por um casal querido, lá de Ribeirão Preto - o Gustavo e a Rejane. Trabalho impecável também!
Espero que tenha contribuído, que vocês tenham gostado e tenham se inspirado. Qualquer dúvida, estou a disposição. Se alguém quiser discutir outras opções também pode contar comigo! 
Meu maior objetivo é mostrar para as noivinhas celíacas que é possível adequarmos nosso orçamento ao sonho de ter uma noite segura junto do nosso amor, amigos e familiares. Boa sorte, queridas! 


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