domingo, 13 de dezembro de 2015

Aceite, agradeça e confie



Nos primeiros dias após o diagnóstico, sonhei duas vezes que estava comendo glúten: um dia foi pãozinho francês e no outro, pastel! Uma baita tortura, né?

Para muitos, motivo de desespero, tristeza e até revolta. Para outros, ainda que a minoria, uma verdadeira lição de aceitação e compreensão daquilo que de alguma forma nos foi imposto. Ninguém escolhe ser celíaco ou ter qualquer outra restrição alimentar. Mas uma coisa nós escolhemos: sermos felizes ou não; aceitarmos ou não, de peito aberto, as dificuldades que nos são impostas e o melhor de tudo, em paz. 

Chorei muito no dia do diagnóstico mas decidi que não iria ser aquilo que me tornaria uma pessoa amarga, de mal com a vida. Abri os olhos e coração para viver uma nova vida. E com tanta vontade de que desse certo, ela veio com todas as surpresas agradáveis. O que me deixa muito feliz? Saber que isso não foi um privilégio pra mim; que assim como aconteceu comigo, pode acontecer com qualquer um. Pode acontecer com você que está lendo esse texto. 

O nosso caminho somos nós quem trilhamos. A chegada dependerá dos sapatos que usamos nessa caminhada e, principalmente, do que estava cheio o nosso coração. Oras, é natural ficarmos impactados com uma notícia que mudará nossa rotina. Podemos chorar e querer acreditar que não é verdade. Podemos descontar nossa ira e achar que tudo não passou de um castigo divino. Ah! Mas e quando tudo isso dura um tiquinho de tempo e logo percebemos que aqueles sintomas foram embora, que conhecemos novos produtos e receitas e, mais do que isso, e pessoas incríveis que vivem como nós? Sim, é chegada a consciência de que nos libertamos de algo que nos fazia mal por inteiro! 

Acredito muito na inteligência do corpo humano. Eu sempre fui a criança que não gostava de tomar leite e comer pizza. A adolescente que nunca gostou de cerveja e de miojo. Como meu corpo deu sinais de que tudo isso fazia mal pra mim. Tapei meus ouvidos por muito tempo, por motivos que até desconheço. Mas quando abri os olhos e ouvidos, estava eu lá, celíaca e intolerante a lactose; parei de consumir tudo o que me fazia mal. E como é bom comer pizza sem glúten de vez em quando. O leite, a cerveja e o miojo ficaram no esquecimento, assim como o pãozinho francês, que era meu preferido. Acreditem se quiser e eu nem sei como isso aconteceu, fiquei bloqueada de sentir vontade de comer tudo o que me faz mal. Sempre digo as pessoas que elas não se sintam mal por comer, na minha frente, algo que não posso comer. Aquele bolo recheado bem bonito ou aquele salgadinho quentinho bem glutenosos simplesmente não me apetecem. Bom, eles me apetecem para descobrir a receita da versão sem glúten. Mas não mais para comer. 

O que eu fiz para que tudo isso acontecesse? Aceitei, agradeci e confiei! Aceitei que dali pra frente viveria uma nova vida com novos sabores, agradeci a Deus por ter descoberto o que me fazia tão mal e por não ser nada que eu não pudesse controlar e confiei (muito!) de que tudo daria certo. E fiz dar. Tudo isso com o apoio de pessoas que me amam, que me fizeram acreditar que depois da tempestade vem o arco íris e que atrás dele tem um mundo de possibilidades. Uma delas é estar aqui, incentivando vocês a serem não só pessoas que não comem mais o glúten, mas a serem melhores, a cada dia; a se amarem mais e mais e se permitirem ser felizes!

9 comentários:

  1. Bem me sinto como vc,tirando o fato de não ter feito exames, mas comecei a tirar o glúten para testar se me sentiria bem e quando voltei a comer me senti tão mal que não podia voltar atrás,passei uma experiência horrivel, um dia dia chorei andando pelo shopping tentando achar algo que quisesse comer mais nada me atraía ou satisfazia.mas passada essa fase estou bem e estou feliz .vejo hoje como uma missão e oportunidades de ajudar pessoas que estão doentes e não sabem.

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    1. Luciana, que bom que tudo está se acertando!

      Ressalto que é importante fazer exames antes de qualquer retirada do glúten, ok? É fundamental se ter o diagnóstico correto para que você possa cuidar da sua saúde com mais certeza sobre o que tem, tá?!

      Se cuida!

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  2. O problema não foi comigo e sim com meu filho, ele é celíaco e ainda tem intolerância a lactose assim como você. O garoto tem apenas 4 anos. Por ele resolvi mudar a alimentação em casa, não aguentava mais levá-lo a vários médicos e nenhum deles resolver o problema, ele tinha otites de repetição e uma secreção nasal, que nunca sarava, agora está melhorando a cada dia. Toda família se sente melhor e mais leve.

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    1. Que alegria saber sobre o final feliz dessa história!

      Isso é maravilhoso, especialmente porque a família abriu mão do glúten para vê-lo bem! Gesto lindo, parabéns!

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  3. Oi! Eu fui diagnosticada há 8 anos. Como vc faz quando vai à restaurantes e festas com amigos? Vc não se arrisca a comer algo, nem uma salada?

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    1. Olá, Anônimo!

      Quando vou a restaurantes, sempre levo minha comidinha, se o restaurante não garantir uma alimentação livre de contaminação cruzada. Não arrisco em nada porque, pra mim, não vale a pena!

      Saúde em primeiro lugar!
      Levo minha comida e me divirto do mesmo jeitinho

      Força sempre! ;)

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  4. Não sei se tenho alguma intolerância direta ao gluten, mas desde a pré-adolescência convivo com manchas vermelhas (dermatite) na pele e na cabeça e isso não tem cura, apenas alguns médicos me pediram pra evitar leite e derivados.

    Nesse final de ano eu estava comendo mais derivados do milho e mandioca (ainda tinha gluten, mas era bem menos do que eu comia antes), resultado: as manchas diminuíram... Estou comendo pouco gluten (só o pouco que tem na aveia ou em um achocolatado, por exemplo) e até a minha pele está melhorando.

    Eu já sabia há alguns meses que o gluten pode desencadear reações auto-imunes devido a hiperpermeabilidade intestinal que ele causa (em qualquer pessoa, não é necessário ter intolerância direta ao gluten) então rapidamente associei uma coisa a outra e estou mudando minha alimentação, também nunca gostei muito de massas e bolos, então tirar essas coisas da alimentação está sendo tranquilo pra mim.

    Por mais difícil que seja não poder comer nem traços de gluten, vejam por outro lado, vejam a quantidade de problemas que isso poderá te evitar ao longo da vida: youtube.com/watch?v=IX56ScjPM4Y

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    1. Peri, obrigada pela sua mensagem!

      Minha orientação é que você realize exames para saber se você tem doença celíaca. É fundamental ter o diagnóstico correto. Aproveite que está consumindo glúten e faça.

      Qualquer dúvida, estou a disposição

      Abraços

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    2. Peri, tudo bom ? Fique tranquila quanto a adaptação. Vai chegar uma hora em que você vsi conseguir evitar o glúten sem ao menos perceber. Isso já aconteceu conosco. Quanta contaminação cruzada, basicamente é você ficar esperta em possíveis reações alérgicas após a ida em cada restaurante ou comida fora de casa. Em nosso blog colocamos um post onde comentamos sobre os sintomas e tratamentos quando a pessoa ou está na dúvida ou já descobriu que é celíaca. Acho que vale a pena a leitura. De qualquer forma, muita força a você. Tenho certeza que você está prestes a conhecer alimentações mais saudáveis tirando o glúten de sua dieta.

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